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Crônicas Brasileiras (I)

September 5, 2018

     Bráulio era um marido honesto e muito trabalhador. Sua esposa não tinha estudado muito e era órfão dos dois pais. Mas apaixonados, decidiram ter o primeiro filho. Resolveram-na batizar de Saúde, pois a Saúde deve vir em Primeiro lugar, ouviam dizer. E a vida foi seguindo, não demorou e tiveram uma segunda filha. Chamaram-na de Educação, pois sem Educação não se vai longe, era dito popular. Gostavam muito das duas filhas mas estavam com dificuldades para levá-las na escola. Inspirados, tiveram um terceiro filho, chamado Transporte. Isso resolveria a equação. Mas a situação da cidade piorou e alguns assaltos começaram a acontecer. Já sei, disse Bráulio, teremos mais uma filha para cuidar de nossa retaguarda: e chegou a Segurança. Logo a casa ficou pequena, mas seguindo a tradição dos batismos, os Batistas acharam a solução: a nova filha Habitação seria o bom agouro para caber toda a linda família. Surpresa veio, era gêmea do Saneamento. Estavam muito felizes, e por isso a próxima filha ia se chamar Cultura. Mas Bráulio, que era minerador e petroleiro, começou a ter problemas em vender seus produtos. Num golpe de esperança, com sua esposa tiveram a Previdência.

 

     Os filhos demandavam muito e Braulio e sua esposa queriam prover de tudo. Iniciaram as carreiras de seus filhos. Para Saúde, uma bela clínica, depois um hospital. Para Educação, uma escola, depois uma universidade. Para o Transporte, uma frota de ônibus, gasolina e a equipe paga. E assim sucessivamente.

 

     Porém a crise internacional chegou e o preço do minério caiu terrivelmente. O salário de Bráulio reduziu, mas não seus custos. E seus filhos demandavam o custeio de suas incipientes carreiras. Sem saber o que fazer, Seu Bráulio foi ao banco. Todos precisavam muito e de tanto! Não conseguiria negar a ninguém. E assim tudo se resolveu por um tempo.

 

     Mas a conta do banco só aumentava, e seus filhos ainda não se sustentavam por si. Bráulio não teve dúvidas, reuniu a família e propôs congelar os repasses. Ele disse: eu não consigo mais, minha arrecadação diminuiu. Saúde foi a primeira a reclamar, eu preciso de mais leitos! A Educação logo retorquiu: não podemos abrir mão da universidade! O Transporte disse: mas como isso? A gasolina aumentou! E a previdência gritou que precisava garantir o futuro de todos. A briga foi grande. Cadeiras voaram, Saúde e Educação resolveram fazer uma aliança. Todos estavam preocupados com a Segurança, então ela sempre conseguia falar mais alto. Previdência, a caçula, ficou isolada, pois todos diziam que ela só consumia recursos e não prestava serviço nenhum. Saneamento teve problemas intestinais e Habitação ficou fora da casinha.

 

Só tem um problema, eu não sei como a história terminou.

 

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