© 2016 por O Franco Atirador

    Gostou da leitura? Doe agora e me ajude a proporcionar notícias e análises aos meus leitores  

O moralista

April 1, 2016

 

                O moralista, além de sabidamente ser um chato, é um egoísta. Espera, é preciso bater mais. Há muitos tipos de moralista. Certos críticos são moralistas. É enfadonho até as últimas. O moralista pensa que pode resolver tudo simplesmente na base da vontade ou do enunciar. Ele age como se tudo fosse culpa apenas do arbítrio do agente, e como se enunciar a culpa fosse o suficiente para obrigar o seu agente a resolvê-la. O moralista é agressivo, é violento. Espera que não terminei. O pior de tudo é que ser moralista ou virar moralista não adianta. Não funciona.

                E não funciona por um simples motivo. O moralista não se pergunta muito sobre as condições que causam o comportamento do agente o qual critica. Culpar geralmente é diametralmente oposto a entender. Ou se faz um ou se faz outro. Sempre dá para aceitar sem entender ou entender mas discordar, é claro. Mas o moralista não consegue, pois sempre quer imputar responsabilidade e corrigir, imputar, corrigir e fazer sofrer.

                Como não sabe muito das condições que ensejam o comportamento criticado, nada pode fazer para efetivamente modificá-las ou evitá-las. Modificar as condições muitas vezes modificaria o comportamento, até mesmo sem a necessidade de recorrer ao arbítrio do agente. Mas o moralista está muito ocupado e exaltado na discrepância que é encontrar-se tão cheio de razão, quando o outro não tem razão alguma. Não consegue perceber outra coisa.

                Mas é preciso desenvolver mais, não acabamos ainda. O moralista é chato, egoísta e violento porque reifica sua perspectiva. É muito fácil identificar um moralista, não raro ele procede por ironias e rótulos. É sempre a raiva que o move: a expectativa irrealizável de modificar o outro, ou de fazê-lo pagar por seus erros, fazê-lo sofrer. O moralista tem uma vontade irrefreável de dominar o outro.

                Sempre se pretendeu que o moralista fosse o construtor da boa sociedade. Ao menos é o que ele pensa de si. São dois equívocos. Primeiro porque a boa sociedade é impossível. E, segundo, por que, o moralista, com seu modo de atuação, só consegue ser o destruidor da sociedade. Tanto da ruim quanto da pior.

 

Please reload

Procurar por Tags
Please reload

Busca por palavras
Siga O Franco Atirador
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Instagram Social Icon
  • Blogger Social Icon
  • Tumblr Social Icon
  Por Trás do Franco Atirador